Projeto “Floresta da Serra do Açor” vence Prémio Nacional da Paisagem 2025

O projeto “Floresta da Serra do Açor”, promovido pelo Município de Arganil em parceria, entre outras entidades, com a Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), é o grande vencedor do Prémio Nacional da Paisagem 2025.

O galardão, que se constitui uma das mais relevantes distinções nacionais na área do ordenamento e valorização do território, foi entregue no dia 3 de dezembro de 2025, ao presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, pelo Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, numa sessão que teve lugar no auditório da Direção-Geral do Território (DGT), em Lisboa.

Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Arganil afirmou estar “verdadeiramente honrado com a distinção e privilegiado por fazer parte de um projeto inspirador, com tamanho impacto e capacidade de valorizar e transformar a paisagem que faz parte da identidade do concelho de Arganil”.

Para Luís Paulo Costa, o projeto Floresta da Serra do Açor “demonstra que é possível olhar em frente com confiança, construindo medidas de fundo que reforcem a resiliência do nosso território e protejam pessoas e bens”. Trata-se de um “investimento sério, consistente e inspirador, concebido para deixar um legado duradouro às gerações futuras, tornando-se um verdadeiro símbolo de resiliência e de confiança no futuro”, destacou.

Por sua vez, o Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, durante a sua intervenção, felicitou o Município de Arganil pela conquista do prémio e frisou o alcance transformador da iniciativa. “Estamos a devolver a esperança não só a Arganil como a todos os que possam replicar este projeto nos seus territórios”, sublinhou.

Silvério Regalado afirmou que o projeto “devolve esperança não só a Arganil, mas também a todos os territórios que possam replicar este modelo”, tendo evidenciado igualmente o carácter colaborativo que esteve na base da distinção, traduzido na capacidade do município em mobilizar diferentes parceiros e gerar impacto económico local, contribuindo para a fixação de população, nomeadamente dos mais jovens.

No terreno desde 2021, o projeto faz a intervenção de 2.500 hectares de terrenos baldios severamente afetados pelos incêndios de 2017, através da plantação de 1,8 milhões de árvores maioritariamente autóctones. O plano de recuperação e gestão da paisagem, com um horizonte de 40 anos, assenta num modelo inovador e sem precedentes em Portugal, agregando entidades públicas, privadas e as comunidades locais em torno do mesmo objetivo.

Mais do que um projeto de reflorestação, a “Floresta da Serra do Açor” afirma-se como um exemplo nacional de resiliência, sustentabilidade e planeamento florestal. A sua abordagem estruturada, participada e de largo alcance torna-o um modelo replicável para outros territórios que enfrentam desafios semelhantes de recuperação pós-incêndio.
Recorde-se que, neste projeto, a ESAC é responsável pela validação científica e pelo desenvolvimento dos modelos de silvicultura, garantindo o acompanhamento técnico de todas as operações. Do modelo colaborativo e participado fazem igualmente parte o Grupo Jerónimo Martins, que assegura o financiamento de 5 milhões de euros no âmbito do mecenato ambiental, e as 11 comunidades locais, cujos terrenos baldios são geridos pela F.S.A. – Floresta da Serra do Açor – Associação, da qual são associadas.

A robustez do projeto foi posta à prova com o recente incêndio de agosto de 2025, que atingiu cerca de 40% do concelho de Arganil e afetou aproximadamente 100 hectares já reflorestados. Ainda assim, poucas semanas após a passagem do fogo, registaram-se taxas de sobrevivência entre 50% e 80% das espécies folhosas em povoamentos com três a quatro anos, confirmando a eficácia do modelo adotado, que conjuga conhecimento técnico, planeamento de longo prazo e respeito pelo ritmo da natureza.

A estratégia é privilegiar espécies autóctones menos suscetíveis ao fogo, como carvalhos, bétulas, sobreiros, medronheiros e castanheiros, atendendo a que estas espécies possuem grande capacidade de regeneração após incêndio e garantem uma melhor adaptação às condições do solo e do clima, além de reforçarem a identidade ecológica e cultural do território. A diversificação de espécies permite ainda reduzir o risco de incêndios catastróficos e aumentar a resiliência da floresta às secas, pragas e ondas de calor, criando um mosaico florestal mais estável e menos vulnerável.

Organizado bienalmente pela Direção-Geral do Território, o Prémio Nacional da Paisagem distingue projetos de excelência que valorizam a paisagem e promovem intervenções sustentáveis, no âmbito da Convenção Europeia da Paisagem. O vencedor nacional irá agora preparar, sob coordenação da DGT, o processo de candidatura ao Prémio da Paisagem do Conselho da Europa.